JPMorgan Chase discretamente adiciona restrições ao financiamento de combustíveis fósseis na Amazônia

November 13, 2025
Na COP30, especialistas reconhecem este passo, mas destacam a necessidade de uma política de exclusão total de financiamento de petróleo e gás na Amazônia.

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GLOBAL – Enquanto a COP30 acontece na Amazônia, o JPMorgan Chase – maior financiador mundial de petróleo e gás na Amazônia – discretamente adicionou a Amazônia como uma região onde o banco submeterá os seus clientes de serviços financeiros a uma análise aprimorada no seu último relatório de sustentabilidade, divulgado em outubro de 2025.

De acordo com a Amazon Banks Database e o relatório “Bancos vs. Amazônia” da Stand.earth, o JPMorgan financiou quase US$ 2 bilhões desde 2016 em petróleo e gás na Amazônia, e US$ 326 milhões desde 2024. Os financiamentos recentes incluem a Gran Tierra, a Petrobras e a Hunt Oil Peru, cujas atividades não foram consentidas pelos Povos Indígenas afetados. Ainda não se sabe se esta atualização da política terá impacto no financiamento a estas empresas.

Martyna Dominiak, coordenadora de campanhas de finanças climáticas da Stand.earth, afirma:

“O JPMorgan Chase – o maior financiador mundial de petróleo e gás na Amazônia – finalmente está reconhecendo a importância da floresta amazônica e dos Povos Indígenas. Atualizar sua política em relação à região amazônica antes da COP30 é um passo bem-vindo e há muito tempo esperado, mas uma revisão aprimorada simplesmente não é suficiente. As palavras precisam ser acompanhadas de ações: o financiamento contínuo do banco a empresas que estão por trás da destruição da Amazônia coloca a floresta – e todos nós – em grave risco. Embora isso esteja longe de ser uma política de exclusão completa do financiamento à petróleo e gás na Amazônia, essa medida mostra que a pressão funciona. Agora é hora de outros grandes financiadores, como o Bank of America, seguirem o exemplo.”

A política do JPMorgan usa a definição geoespacial da RAISG para o bioma amazônico, amplamente recomendada por líderes indígenas e especialistas. Embora o compromisso seja promissor no atual contexto político de censura nos Estados Unidos, os especialistas destacam que a política do banco está muito aquém das melhores práticas para a proteção dos Povos Indígenas e da Amazônia, em um momento de crescentes demandas por uma eliminação robusta e imediata dos combustíveis fósseis no bioma.

A política não chega a excluir o financiamento para empresas de petróleo e gás da Amazônia. Há muitos exemplos em que bancos afirmam aplicar a devida diligência, mas continuam a prejudicar o planeta e as pessoas. Além disso, os especialistas estão preocupados com o fato de que, embora isso represente um progresso na Amazônia, o JPMorgan está recuando em outras áreas, incluindo a remoção de algumas políticas de exclusões de financiamento a combustíveis fósseis. 

Olivia Bisa, presidente do Governo Territorial Autônomo da Nação Chapra (Peru), disse: 

“A mudança anunciada pelo JPMorgan é apenas um gesto, não uma transformação real. Não vamos parar a crise climática com pequenos passos. A Amazônia deve ser declarada uma Zona de Exclusão para todas as atividades extrativas e para o financiamento que as possibilita. Enquanto o dinheiro continuar sendo destinado aos combustíveis fósseis, os nossos povos, rios e a própria vida continuarão morrendo. Exigimos que os bancos adotem políticas de exclusão de financiamento, tanto a nível de projetos como corporativo, para qualquer empresa extrativa que opere na Amazônia.”

O banco também melhorou recentemente as suas políticas relacionadas aos direitos dos Povos Indígenas, após um processo de advocacy junto aos investidores, liderado pela United Church Funds e pela Investor Advocates for Social Justice no início deste ano. O JPMorgan se comprometeu a não financiar clientes que tenham violado direitos humanos. O banco também se comprometeu a avaliar os clientes quanto aos riscos para os Povos Indígenas – incluindo o Consentimento Livre, Prévio e Informado (FPIC) – antes de prosseguir com uma transação. No entanto, a política apresenta deficiências, pois não reconhece explicitamente o direito dos Povos Indígenas à autodeterminação nem o de rejeitar projetos de combustíveis fósseis.

Allison Fajans-Turner Senior Campaigner of Rainforest Action Network, disse:

Em 2024, o JPMorgan também foi alvo de intenso escrutínio por parte das nações indígenas Achuar, Wampís e Chapra, do norte da Amazônia peruana, bem como de investidores religiosos, por financiar a empresa estatal de petróleo Petroperú e a sua refinaria de Talara. De acordo com organizações indígenas e a Amazon Watch, bancos como o JPMorgan financiaram a Petroperú apesar de seu histórico de cinco décadas de contaminação recorrente por petróleo – grande parte da qual permanece sem remediação adequada.  

Mary Mijares, gerente de campanhas da Amazon Watch, disse:

“Anos de organização incansável sob a liderança dos Povos Indígenas da Amazônia pressionaram o JPMorgan, o maior financiador de combustíveis fósseis do mundo, a dar um passo crucial para reconhecer os direitos indígenas e humanos no seu financiamento corporativo. No entanto, o JPMorgan deve demonstrar que as suas políticas têm impacto real. À medida que os governos pressionam para perfurar mais petróleo na Amazônia, o JPMorgan deve se comprometer a não apoiar planos de expansão do Bloco 64 no Peru e na rodada de petróleo do Equador – ambos em clara violação do Consentimento Livre Prévio e Informado. Financiar ambições de expansão petrolífera só levará nosso planeta mais perto do colapso ecológico e social.”

Especialistas da Urgewald e da Stand.earth comentarão a mudança na política do JPMorgan e pesquisas recentes na conferência de imprensa “O dinheiro estrangeiro que impulsiona a expansão dos combustíveis fósseis na Amazônia”, que será realizada neste sábado (15/11), às 11h30, horário local, na Zona Azul da COP30, sala de coletiva de imprensa 2. 

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Confira mais informações sobre os eventos e coletivas de imprensa da Stand na COP30: https://stand.earth/press-releases/cop30-media-advisory/ 

Leia o relatório “Bancos vs. Amazônia” da Stand.earth: https://stand.earth/resources/bancos-vs-amazonia-pt/

Lea el informe The Money Trail Behind Fossil Fuel Expansion in LAC