COP30 dá passos na direção certa, mas precisa de compromissos mais ambiciosos para garantir uma transição energética justa

November 22, 2025
Embora o reconhecimento da proteção dos direitos dos Povos Indígenas como ação climática seja uma conquista importante, o mundo precisa urgentemente de compromissos mais firmes para mapa do caminho para abandonar combustíveis fósseis

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Belém, Brasil (21 de novembro de 2025) — Com a conclusão das negociações climáticas da COP30, a Stand.earth celebra o reconhecimento dos direitos dos Povos Indígenas – especialmente aqueles em isolamento voluntário e em contato inicial – como pilar essencial da ação climática, e ao mesmo tempo pede aos líderes globais a assumirem compromissos mais decisivos para a transição dos combustíveis fósseis.

 

Avançando os direitos dos Povos Indígenas: uma conquista importante

Como a primeira Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas a ser realizada na Amazônia, esta COP registrou a maior participação indígena de toda a história. Esse marco foi fundamental para consolidar os direitos dos Povos Indígenas como um pilar inegociável de uma transição energética justa, e destaca a importância de garantir sua plena e efetiva participação em todos os espaços de tomada de decisão.

A Conferência marcou também o avanço na regularização de territórios indígenas no Brasil. Ao mesmo tempo que celebra esse gesto político, a Stand reitera que é essencial acelerar os processos de demarcação tanto como garantia dos direitos dos povos originários, quanto como uma ação efetiva de política climática.

Através do reconhecimento institucional do direito às terras indígenas e da definição de limites territoriais, a demarcação é indispensável para conter o desmatamento, preservar a biodiversidade e assegurar o equilíbrio climático do planeta. Cada território reconhecido representa um passo decisivo para mitigar a crise climática — e é essencial que a ambição política esteja à altura da gravidade das ameaças enfrentadas pela floresta e seus povos.

 

Desafios que persistem: transição dos combustíveis fósseis e financiamento climático

Os combustíveis fósseis continuam sendo o elefante na sala das negociações climáticas. Após forte oposição de países produtores de petróleo, o mapa do caminho para a eliminação dos combustíveis fósseis, proposto no Mutirão Global pelo governo brasileiro, foi retirado do texto final da COP30. Uma transição justa é incompatível com a expansão dos combustíveis fósseis, que são a principal causa das mudanças climáticas.

A Stand celebra a liderança da Colômbia, que declarou a Amazônia uma zona de exclusão de extrativismo e anunciou a organização de uma conferência internacional sobre a saída dos combustíveis fósseis no próximo ano, além do compromisso do Brasil em dar continuidade às discussões sobre o mapa do caminho ao longo de seu mandato na presidência da COP. A Stand também faz um apelo para que se garanta a participação plena e efetiva dos Povos Indígenas nesses processos, bem como a incorporação do respeito aos direitos indígenas, como à livre-determinação e ao Consentimento Livre, Prévio e Informado, e de salvaguardas para os povos em isolamento voluntário ou em contato inicial.

No campo de financiamento climático, houve avanços nos diálogos sobre a garantia de acesso direto aos Povos Indígenas. É fundamental que suas contribuições não sejam reconhecidas apenas no discurso, mas que se traduzam em alocação direta de recursos, permitindo a continuidade do trabalho dos Povos Indígenas para proteger ecossistemas vitais e salvaguardar o futuro da humanidade.

 

Gisela Hurtado, coordenadora de campanhas pela Amazônia na Stand:

“O reconhecimento dos direitos dos Povos Indígenas – especialmente daqueles em isolamento voluntário e contato inicial – incluindo seu direito à autodeterminação, é uma vitória importante desta COP, realizada pela primeira vez na Amazônia, lar da maioria dos povos isolados do mundo. Celebramos a liderança da Presidência da COP30 ao propor um roteiro para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. 

Mas sejamos claros: a COP30 não conseguiu tomar a decisão histórica que o mundo precisa urgentemente. Uma transição justa não será possível com a expansão da extração de combustíveis fósseis, nem pode ignorar os riscos sociais, ambientais e de direitos humanos do boom da mineração que já está impactando os territórios indígenas. Uma transição verdadeiramente justa deve manter os combustíveis fósseis no subsolo, proteger os Povos Indígenas em isolamento voluntário e contato inicial por meio de zonas de exclusão, e defender a autodeterminação indígena como um pilar inegociável para a ação climática.”

 

Contato para a imprensa

Lays Ushirobira: media@stand.earth / +34 685 20 05 91